
A "brincar" quis relembrar a velha temática social da violência doméstica que se julgava erradicada, neste mundo dito civilizado, mas que continua a exigir, cada vez mais, drásticas medidas, sociais e juridicas, no campo da prevenção e do combate a este flagelo.
Como homem e como cidadão sinto uma profunda revolta contra a violência de um outro homem contra uma mulher. Esta atitude comportamental só pode ser entendida num quadro de patologia psiquiátrica e a resposta clínica deveria ser compulsiva.
Paulo de Tarso, numa atitude arrojada para o seu tempo, escreveu "maridos amai as vossas esposas...". O mundo actual ficar-lhe-ia eternamente grato, pelo conselho dado aos homens, se a seguir não tivesse-e perdoem-me a linguagem pouco académica-"borrado" a escrita toda ao afirmar "mulheres sede SUBMISSAS aos vossos maridos..." Ninguém tem de ser SUBMISSO a alguém; a submissão era para os escravos e não para pessoas livres. Mas a linguagem de Paulo tem de ser entendida no contexto histórico, politico e religioso da época em que foi escrita. Hoje ele teria feito algumas modificações conceptuais adaptadas ás novas realidades sociológicas.
Mesmo comungando de uma religião, sobre a qual construi a minha realidade espiritual, - se estou certo ou errado o problema é meu - não a concebo como uma realidade estática e também não me sinto proibido de discordar dos que se sentem zeladores da ortodoxia religiosa.
Por ousar discordar da visão tradicionalista da minha Igreja e defender a igualdade funcional, e não apenas TEÓRICA, entre homem e mulher, tenho enfrentado algumas críticas ás quais tenho respondido com a afirmação que não estamos em Teocracia e a Santa Inquisição, para desgosto de alguns, já foi extinta há muitos anos.
Agredir uma mulher não torna o homem mais "macho"nem lhe concede o estatuto de super homem...antes lhe concede o de besta, que assim se chama sem pedir licença a quem quer que seja.
Contudo queria chamar a atenção para dois pontos que considero importantes:
1- Na violência doméstica há situações em que o agressor é a mulher.
2- Se uma mulher me quiser agredir fisicamente , por exemplo com a frigideira na cabeça, não vai ficar á espera que eu lhe diga "ai querida quanto mais me bates mais eu gosto de ti...".
Bom fim de semana apesar desta chuva enfadonha que persiste em cair...