sábado, 7 de Novembro de 2009

FAZ-SE NOS ALPES...

Ela andou a perseguir-me, não me largava a porta. Já lhe tinha dito que não gostava dela e pedi-lhe que se fosse embora. Não gostou de ser rejeitada. Jurou vingar-se. E cumpriu...
Apanhou-me desprevenido, enquanto dormia, e penetrou em mim com tal intensidade que me deixou dois dias sem sair da cama, mais morto do que vivo.
Não sei o seu nome, de onde vem ou para onde vai. Defendi-me como pude. Tentei envenená-la. No primeiro dia resistiu. No segundo permaneceu firme até meio do dia depois começou a apresentar sinais de rendição. Aproximava-se a noite e eu precisava de ir ás aulas. Nova dose de veneno. Deixei actuar e passei á fase do controlo: nada de febre, ausência de espirros, dores moderadas..aí vou eu. Venci a maldita...constipação.
Esta luta deixou-me sem inspiração para escrever mas suscitou em mim um desejo de comer chocolates. Carências afectivas, dirão os psicólogos. E não só mas também, digo eu.
Lembrei-me então de que os melhores, chocolates, se produzem nos Alpes e se derretem onde nós quisermos, incluindo na boca. Estas pachorrentas vacas leiteiras pastavam nos Alpes Suiços, na altura em que tirei a foto. Para me aproximar delas tive de galgar um fio metálico que delimitava o local da pastagem. Toquei nele sem querer e todo o vale em redor fez eco do meu "fooooo...-se.". Estava electrificado. O meu colega francês ia rebentando a rir....
Riam vocês também, mesmo que o tempo esteja cinzento ou a comunicação social nos sirva de bandeja o que de pior se faz neste país. Estou convicto, mas não posso provar, que há por aí muitas "faces ocultas"...mas que isso não seja motivo para deixar de sorrir porque afinal até somos um povo de brandos costumes.
Bom fim de semana


sábado, 31 de Outubro de 2009

PRISIONEIROS


Somos seres sociais em permanente prisão domiciliária e o ego funciona como pulseira electrónica. Estamos prisioneiros dos nossos relacionamentos, das nossas convicções, de tudo o que nos provoca uma falsa segurança. Erguemos muralhas á nossa volta e colocamos grades no coração . A vida é arriscada e nós escondemo-nos dentro da fortaleza que construimos . Procuramos impedir tudo aquilo que nos faz gritar de dor e reduzimo-nos a um estado de cegueira emocional. E por isso EXISTIMOS mas não VIVEMOS....
É muito ténue a fronteira que separa a sanidade da loucura. O nosso interior pode estar em ebulição mesmo que á superfície a aparência seja de calmaria.
Bom fim de semana

sábado, 24 de Outubro de 2009

SONHOS


Ás vezes os nossos sonhos parecem-nos pontos distantes, próximos da linha do horizonte, um lugar dificil de alcançar...
É preciso a coragem para partir da terra firme e lançar-se ao mar...até os encontrar.
Bom fim de semana

sábado, 17 de Outubro de 2009

NEVOEIRO


"Aqui onde a terra se acaba
e o mar começa..."
(Camões)
Não sei se, quando Camões escreveu este poema, havia um nevoeiro assim sobre o mar.
Nem sempre conhecemos com clareza onde começam e acabam os sentimentos e as emoções. Não há uma fronteira definida entre o coração e a razão. Sentimo-nos tantas vezes envoltos numa bruma, dentro da qual se escondem os nossos mais profundos anseios, e albergamos dentro de nós a esperança de que eles se tornem realidade quando o sol nascer.
Será persistência ou teimosia?

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

CORAÇÃO


Nem só de colesterol "morre" o coração...mas também pela falta de estímulos positivos!!!
Seríamos mais felizes se as emoções, sobretudo as mais dolorosas, não fizessem parte das nossas vidas? Creio que não...
Uma boa semana

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

DESABAFOS DE OUTONO


Sopra o vento e caiem as primeiras chuvas de outono. Este novo ciclo, mais cinzento e húmido, altera rotinas e influencia comportamentos. Na minha aldeia ainda dizem que é ao "cair da folha", no outono, e ao "rebentar da árvore", na primavera, que nos sentimos mais vulneráveis.
Foi talvez um vento mais forte que o fez cair do alto das videiras que cobrem o pátio da minha mãe.
-Mata-o, porque ele morde...
Coloquei-o sobre uma parra, preparei uma foto macro...e reparei naquele olhar, que sendo de bicho, mais parecia de gente.
Porque algumas pessoas deliberadamente me magoram quando eu mais confiava nelas, fitei profundamente aquele olhar de bicho e pensei:
Quanto melhor conheço os humanos mais gosto dos animais.
Uma boa semana

domingo, 27 de Setembro de 2009

AMOR Á BEIRA-MAR

Serena manhã de um domingo de Outono e um calor que se sentia sufocante, enquanto caminhava sobre a areia branca da praia.
De máquina fotográfica na mão e olhar atento, procurava novas sensações e emoções que, de certo modo, me ajudassem a ultrapassar aquelas que me inquietavam o coração.
Ali ao lado, por entre as rochas que delimitam a foz do Lis, irrompe com graciosidade uma pequena e frágil flor. Indiferentes ás circunstâncias envolventes, a pequena abelha e a frágil flor amavam-se com paixão. Nem mesmo a objectiva da máquina conseguiu interromper o seu acto de amor...também não era essa a intenção do fotógrafo.

Talvez, noutro ponto do rio, ou mais ao longe, no macio quente da areia das dunas, outros amores tivessem lugar...ou mesmo sobre a linha branca da espuma deixada pelas ondas sobre a praia. Ali mesmo, onde a terra acaba e o mar começa, o amor pode acontecer...
Apenas a imaginação pode ser o seu limite...
E eu continuo a acreditar que o amor é o único sentimento que dá sentido á vida.
Boa semana